Geraldo Martuchelli, ou simplesmente Gê Martu, é nascido no Rio de Janeiro, na cidade de Paty do Alferes. Filho de pai mecânico e de mãe dona de casa, é o caçula de uma família de três irmãos. Ator e diretor, teve como exemplo profissional a atriz Cris Oliveira, que cantava e interpretava. “A Cris está anos-luz da gente. Então foi uma grande atriz com quem eu me identifiquei. Não só como colega de cena, mas como homem. Eu era um garoto, ela já uma mulher feita. Eu achava que ela gostava de mim. E eu era apaixonado por ela”, relembra. Os 50 anos dedicados ao teatro e ao cinema lhe valeram o apelido Gê Matusalém, como gosta de ser chamado. Gê Martu, por meio de seu trabalho, fez parte da formação da identidade cultural brasileira e em especial com a cultura de Brasília. Autodidata em arte cênica, não estudou teatro. A devoção pela profissão empolgou platéias e fez de Gê uma referência em Brasília para outros colegas de profissão. Mesmo quando não está em cena, emociona, diverte, provoca, contagia. A primeira vez que veio a Brasília foi em 1965, quando participou da comemoração dos cinco anos da capital.

Aproveitando a visita, encenou a peça infantil “Príncipe Valente, o Herói da Floresta”, de Orlando Miranda. E foi aqui, na terra brasiliense, que encontrou sua esposa e companheira, com quem teve uma filha. Motivo que o levou a mudar-se definitivamente para a capital em 1970. “Trabalhava no MEC no Rio, vim pra cá e vim pra trabalhar, porque Brasília estava precisando de técnico. Minha área era contabilidade. Nisso conheci a Gisele. Tivemos um affairzinho. Nasceu nossa filhota que é a Luciana Martuchelli.Eu morava no Rio, num apartamento pequeno, no Bairro Peixoto, em Copacabana. Mas dinheiro pouco. Não ganhava fazendo teatro. O ministério pagava pouco. E aí veio a oportunidade da transferência. Se eu topava. E como eu tava meio assim no Rio: fazia teatro, não ganhava dinheiro, época de repressão, não ‘pintava’ nada. Eu pensei: ‘Bem, é uma forma de eu ir e assumir a paternidade’.”, narra.

Foram mais de 70 peças e 50 filmes ao longo de 58 anos de carreira. Das telas pro palco, do palco pras telas, assim tem sido a vida de Gê Martu: atuando e dirigindo. Até os 15 anos, ele cantava e dançava em parques, cinema e circo. Mas foi na adolescência que se encantou pela arte dramatúrgica. Ele começou o aprendizado na prática e não na teoria. Os conhecimentos técnicos foram sendo adquiridos ao longo de sua jornada no ramo. Inicialmente, Gê queria ser ator de cinema, mas só conseguia fazer alguns vídeos. Então optou pelo teatro, pois dava mais oportunidade de atuar.

“Comecei a gostar do teatro, da forma de ter o público, porque o cinema é mais distante. E voltei a fazer teatro e cinema em Brasília, a partir dos anos oitenta, quando foi o primeiro filme. Já estou com 47 curtas. Fiquei sempre no teatro pensando em fazer cinema”, declara.

Gê Martu começou o teatro em Brasília com o grupo Atard (Ateliê de Arte Dramática). A peça que foi um marco em sua vida, no palco candango, foi a “Bella Ciao”, direção Mangueira Diniz e Francisco Rocha. Ela lhe rendeu o primeiro prêmio de teatro em Brasília: o de melhor ator. Outra premiação foi no cinema com o curta “Borralho”, ficção de Arturo Sabóia e Paulo Eduardo Barbosa.

Gê Martu trabalha como diretor de teatro há 24 anos. Atua em peças teatrais desde 1952. No cinema, interpreta personagens há 49 anos. Já na televisão, vídeo, rádio, novela, desde 1966. Gê tem uma carreira de sucesso, mas não esconde o privilégio de ter trabalhado com vários profissionais experientes. Carta da Esperança foi o 50 filme em que o Gê participou como ator e nesse momento o diretor João Inácio está produzindo um longa documentário contando sua trajetória nos palcos e nas telas.

O filme por Gê Martu

Como foi fazer o filme “Carta da esperança”?
Quanto a mim, sempre antes de gravar, nervoso, inseguro, mas depois relaxo. Tranquilo em relação a direção, equipe, etc., Um excelente set de filmagens. Parabéns!!!!

Qual o momento mais marcante do filme pra você?
Vários momentos, entre eles quando o pai num momento de lucidez fica sabendo que a esposa está morta e, “sentindo-se culpado, ele surta” e o filho o abraça carinhosamente, tentando acalmá-lo. Me tocou profundamente.

Qual a relevância do tema pra sociedade?
Mais um canal de informação para situações como essas. Principalmente para os jovens, para que eles tenham um conhecimento maior e, assim mais respeito para as pessoas que passam por isso.

O que ficou de marcante pra você depois de ter participado deste filme?
“… que a vida não é só isso de se ver, é um pouco mais…” (Grande Paulinho da Viola). E também consciente sobre o que está acontecendo com o meu irmão de 83 anos e com as demais pessoas, de um modo geral. Sinto não poder estar mais perto do meu irmão.

Como foi a relação com os outros atores e com a equipe?
MAGNÍFICA!!!! Profissionalismo e alegria sempre de mãos dadas. Amei cada momento. Meus agradecimentos para essa turma jovem iniciante e para os mais tarimbados, sempre nos ensinando.

O que seu personagem significou pra você?
A fragilidade do ser humano! É sempre gratificante viver personagens de perfis fortes como esse. A gente ora está numa realidade e de repente em outra. O que é o real ou a ficção? Mais um grande papel para a minha carreira.

Como foi a experiência de ser dirigido por João Inácio?
APRENDIZADO!!!! Eu e o João Inácio nos conhecemos desde os anos 80 quando dividimos o palco do Teatro da Escola Parque da 508 Sul. De colegas de cena, hoje sou dirigido por ele nessa história verdadeira, encantadora e emocionante. Tive momentos de perceber que eu não alcançaria o clímax da cena se não fosse a direção segura e tranquila do JI, um Mestre!

Como foi a experiência de atuar com o Maurício Witczak?
Maurício? Bomrício, isso sim, rsrsrsrsrs… Tive o prazer de conhecer o Maurício desde os seus primeiros passos nas artes. Poeta, Escritor, Ator, Produtor Cultural e muito mais…
Foi mais um filho que tive ao meu lado nessas duas semanas de filmagens. Assim que eu ouvia “gravando”, não o via mais como um amigo de trabalho e sim como um verdadeiro filho. A energia que ele transmitia ao seu personagem me alcançava e não era mais o Gê e o Maurício e sim o pai e filho, juntos, vivenciando um drama familiar, sempre sob os olhares seguros da direção. BrigadãoBraçãoBjãoGêpoéticoteatralcinematograficamentecarinhosoprocêtambémMaurício.